Jéssica Kuhn indica “A chegada”

Publicado dia 22 de outubro de 2020

i-PSIne 🎬:

“A chegada”

Nacionalidade: Estados Unidos
Ano: 2016
Direção: Denis Villeneuve
Gênero: Drama, mistério, ficção científica
Duração: 1:56
Plataforma: Now, Google Play, AppleTV, Claro Vídeo, Microsoft

Baseado no livro “The story of your life”, de Ted Chang, “A chegada” apresenta os eventos principais na vida da personagem Louise Banks (Amy Adams), uma linguista que é recrutada por militares para traduzir as manifestações dos tripulantes de uma nave alienígena que pousou em território norte-americano e  assim descobrir as suas verdadeiras intenções.

 

Conforme consegue se comunicar com eles, ela começa a ter flashbacks que se tornam a senha para desvendar a razão dessa visita.

O filme faz uma bela metáfora com a psicanálise. Basta que nos lembremos que o inconsciente é atemporal, mistura passado, presente e futuro, embaralha nossa memória e é estruturado como linguagem.

A escrita dos alienígenas nos remete à não linearidade do tempo e do espaço: ela é circular, e não está submetida às limitações de nossa linguagem consciente. Assemelha-se, em vez disso, ao modo como o nosso inconsciente se expressa.

Nossa escrita e fala refletem a importância que damos à interpretação cronológica causal dos acontecimentos, é como tendemos a constituir nossa visão de mundo e a revestir de sentido nossa existência: causa/consequência, ação/reação, plano/execução, percursos que derivam facilmente para a dualidade viável/inviável, desejável/indesejável, necessário/dispensável, certo/errado. Uma dinâmica que nos caracteriza e que nos permite apreender uma versão da realidade, que se mostra repleta de incertezas.

Já os nossos visitantes estudados por Louise parecem dominar a física quântica e sua complexa matemática, enquanto estranham nossa lógica cartesiana. Numa interpretação do que parecem estar tentando nos dizer, podemos inferir que eles sabem que fatos não podem ser mudados, uma vez que estes eventos já foram/são/serão num antes/agora/depois único.

Minimizar ou maximizar uma experiência emocional, atribuindo-lhe exatamente o valor que melhor nos ajudará a lidar com ela,  pode ser a chave de tudo. A psicanálise sempre soube disso.

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