Jéssica Kuhn indica “A garota dinamarquesa”

Publicado dia 21 de janeiro de 2021

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“A garota dinamarquesa”
Nacionalidade: Reino Unido, Estados Unidos
Ano: 2015
Direção: Tom Hooper
Gênero: Drama, biografia
Duração: 1:59
Plataforma: Now, Google Play, Apple TV, Looke

Baseado no romance homônimo de David Ebershoff  inspirado na vida das pintoras dinamarquesas Lili Elbe (Eddie Redmayne) e Gerda Wegener (Alicia Vikander), esse filme corajoso e delicado consegue abordar temas como identidade de gênero, sexualidade e intervenções terapêuticas com extrema sensibilidade sem nunca soar ridículo ou caricato.

O filme conta a trajetória de Lili Elbe, uma das primeiras pessoas transgênero a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual. Em foco, o seu relacionamento amoroso com a pintora dinamarquesa Gerda e sua descoberta como mulher no momento em que sua esposa pede para que ele pose para retratos femininos, quando uma modelo falta.

Mesmo que aborde episódios ocorridos há um século, “A garota dinamarquesa” dá visibilidade a debates atuais sobre relações de gênero por meio da história da primeira paciente registrada a passar pela cirurgia de redesignação sexual.

O desconforto de gênero que ele sentia motivou seu anseio em se adequar anatômica e biologicamente ao modelo que lhe permitiria viver em plenitude sua feminilidade. O filme nos provoca, assim, a reflexão sobre demandas sociais de adequação de gênero ao sexo.

Entretanto, em vez de se concentrar na reação da sociedade à mudança de Lili, o filme prefere focar no impacto causado sobre a relação do casal, na luta de Gerda para aceitar Lili – e na de Lili para aceitar a si mesma. E talvez possamos também falar de Gerda aceitando a si mesma (como a pessoa que não apenas aceita Lili desta forma como também talvez a prefira assim – o que nos levaria a relativizar a sua condição de “vítima” do contexto).

Para a psicanálise, as manifestações da sexualidade são múltiplas, e em relação ao amor valem todas as formas.

A função da psicanálise não é “solucionar” as questões de ordem sexual, mas desvendar quais os mecanismos psíquicos que resultaram na escolha do objeto e traçar o caminho que vai desses mecanismos às disposições originais individuais.

O filme é também um belo retrato das dores do casanento com uma mensagem muito sólida sobre amor próprio, autoaceitação e aceitação do outro. O filme fala sobretudo de amor: do amor fraternal ao amor incondicional. Fala de “Amor”, com “a” maiúsculo.

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