Jéssica Kuhn indica “The mask you live in”

Publicado dia 17 de dezembro de 2020

 

i-PSIne 🎬:

“The mask you live in”
Nacionalidade: Estados Unidos
Ano: 2015
Direção: Jennifer Siebel Newson
Gênero: Documentário
Duração: 0:20 (oito episódios)
Plataforma: Netflix, YouTube

“The Mask You Live In” (“A máscara em que você mora”), estreou no Festival de Sundance em 2015 e é o segundo documentário escrito por Jennifer Siebel Newson. Na mesma linha, seu primeiro filme “Miss Representation” (2011) explora como as mulheres são representadas de forma limitada nos meios de comunicação de massa,  raramente mostradas em posições de poder.

“The Mask You Live In” fala sobre o conceito de masculinidade que temos perpretado em nossa sociedade. Através de depoimentos de especialistas (sociólogos, psicólogos, educadores, etc) aborda também os efeitos psicológicos sofridos pelos homens que são ensinados desde crianças a reprimir suas emoções em defesa de sua virilidade. O que estamos ensinando aos meninos, afinal? Qual o conceito de masculinidade que estamos difundindo?

Através de um ótimo roteiro, o documentário leva a uma reflexão sobre como os homens desde muito cedo são ensinados a agir segundo um determinado padrão de “masculinidade”. E essa construção nociva do conceito de masculinidade colabora para perpetuar as práticas sexistas e homofóbicas, colocando tudo o que é associado ao feminino em posição de inferioridade, desvalorização e fragilidade.

Bullying, violência, evasão escolar, uso de álcool e drogas estão entre as diversas temáticas relacionadas ao comportamento masculino aprendido em sociedade.

Em “The Mask You Live In” vemos como os homens são encorajados a não falar sobre seus sentimentos, a guardar suas dores e lidar com seus problemas sozinhos. O que por sua vez, sabemos nós psicanalistas, pode levar à dificuldade de estabelecer  relacionamentos, ao isolamento, à depressão e outros transtornos mentais.

O documentário fala de pertencimento, identidade. Os meninos desde muito cedo aprendem que precisam afastar de si tudo que foi atribuído socialmente ao universo feminino. É mostrado como desde a infância eles são brutalmente agredidos para se encaixarem num modelo de masculinidade que é tóxica. E assim se afastam também da capacidade de expressar e reconhecer a si mesmo e suas emoções, partindo para a agressividade contra si e contra o outro.

Um documentário para ser visto por todos nós!