Jéssica Kuhn indica “Big mouth”

Publicado dia 29 de abril de 2021

Jéssica Kuhn indica “Big mouth”

 

i-PSIne 🎬:

 

” Big mouth”
Nacionalidade: Estados Unidos
Ano: 2017
Direção: Bryan Francis
Gênero: Animação, comédia, romance
Duração: 0:30 (quatro temporadas, três com 10 episódios cada e uma com 11)
Plataforma: Netflix

Animação criada pela Netflix, com  roteiro de Andrew Goldberg e elaborada por Nick Kroll (amigos de infância que atravessaram juntos o épico período da puberdade, de onde justamente veio a ideia da série), “Big Mouth” é uma comédia adulta com altas doses de humor ácido, que parece ter herdado a insolência de South Park e a estética dos Simpson. O típico programa que a garotada assiste escondida dos pais e que os pais veem escondidos das crianças – e que chega à quarta temporada já com a sexta garantida.

O enredo gira em torno de um grupo de pré-adolescentes que estão tendo que lidar o tempo todo com os desafios e descobertas dessa fase da vida.

Os protagonistas, Nick Birch e Andrew Glouberman, são dois amigos que estão em pleno descobrimento da sexualidade, das fantasías, dos medos, das mudanças corporais de seus próprios corpos e dos de seus colegas.

“O adolescente se olha no espelho e se acha diferente (…) ele não é mais nada, nem criança amada, nem adulto reconhecido”, dizia o psicanalista Contardo Caligaris, que acaba de nos deixar, em seu texto  “Insegurança”.

Pois esse cenário de estranhezas, promessas e tropeços sexuais gera uma constante tensão entre a timidez e o humor – que na série são ancorados, em grande medida, por alguns personagens estranhíssimos que roubam a cena: os monstros hormonais.

Maurice, o monstro, pensa muito em masturbação, enquanto Connie, a monstra, sente vontade de explorar sua sensualidade e passa por várias emoções rapidamente. Estas criaturas aparecem para os meninos e meninas como se fossem gurus psicodélicos, que os  guiam através de impulsos e pulsões.

Os adeptos da psicanálise enxergarão muitos dos conceitos observados por Sigmund Freud, como por exemplo o ID, representado como “Demônio”.

Em seu livro “Adolescência”, Caligaris afirma que este é um processo onde nossa cultura nos coloca em uma espécie de moratória. Para os adultos, o adolescente não está totalmente pronto para a fase adulta e as responsabilidades que chegam com ela, mas também já não é mais criança para que se lhe tolere alguns comportamentos. Em outras culturas, essa invenção do século XX que é a adolescência, prevê ritos de passagem logo no final da infância para se tornar adulto, e Calligaris aponta que talvez falte exatamente isso na nossa.

Sempre mais perto do humor que do incômodo, e em paralelo à temática sexual mais frontal, “Big Mouth” vai se revelando como uma comédia que abarca muitos temas que fazem parte desse processo misterioso e cheio de instabilidades. Assuntos como homossexualidade, preconceitos, machismo, vício em Internet e gravidez na adolescência são apenas alguns dos muitos temas presentes.

A série nos faz lembrar da nossa própria adolescência e mostra o quanto é importante conversar abertamente sobre a sexualidade (e não só sobre ela) com as crianças e adolescentes.

 

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